Aluna diz que foi obrigada a chupar testículos e pênis de boi em trote
Ela estava na segunda semana de aula no 1º semestre quando resolveu participar do trote por pressão
A Polícia Civil da Bahia investiga desde terça-feira (07) denúncia feita ao Ministério Público por uma estudante de agronomia de 22 anos que diz ter sido obrigada a chupar testículos e pênis de boi durante trote na Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb), campus de Vitória da Conquista, sudoeste do Estado.
O caso ocorreu na sexta-feira passada - dia 03 .
Ela disse que participaria, mas avisou que era “alérgica a tudo”. Durante a brincadeira, a estudante – que prefere não ter sua identidade revelada – e outros colegas calouros foram colocados para andar de “elefantinho” (de mãos dadas uns com os outros e com as mãos passando por debaixo das pernas) e depois tiveram de chupar testículos e pênis de boi. Aplicavam o trote alunos do 3º e 4º semestres de agronomia. A estudante desconfia que o pênis do boi estivesse melado com sêmen humano, pois estava com gosto salgado.
E teriam dito a ela que aquele “pênis” ainda “nem é o de verdade”. Para finalizar a brincadeira, segundo ela, os veteranos botaram um líquido em um copo que seria mistura de “mata bicheira” – produto usado em bovinos – e urina de animal e deram para eles bochecharem.
Após o bochecho, a estudante começou a ter reações alérgicas e chegou a desmaiar, tendo sido levada para a enfermaria da universidade, onde teria recebido apenas café e biscoito, que ela nem conseguiu engolir porque começou a sair sangue da sua língua.
Mesmo nessa situação, ela ainda saiu da universidade e foi para Brumado, sua cidade natal. A estudante está sendo acompanhada pela Comissão de Direitos da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil. Para a advogada Michelly Leão, pode ter ocorrido no caso “lesão corporal, estupro por ato diverso de conjunção carnal e tentativa de homicídio doloso, por dolo eventual, porque sabiam que ela tinha alergia e a colocaram para bochechar com mata bicheira”.
Ainda segundo a advogada, a Uesb pode responder por “omissão de socorro, pois eles não souberam lidar com a situação”. Procurada, a assessoria de comunicação da universidade informou que não poderia se pronunciar porque o reitor está em viagem. A universidade, porém, reconheceu que o trote ocorreu e que o caso está sendo analisado internamente. A enfermeira Maria da Paixão, que atendeu a estudante, e o presidente do Centro Acadêmico de Agronomia, Ednaldo Dantas, do 7º semestre do curso, disseram que não iam dar declarações.
A delegada responsável pelo caso, Tânia Silveira Santana Santos, disse que aguarda apenas a chegada do ofício do Ministério Público para abrir as investigações. O documento não foi enviado na segunda por causa da paralisação de 24h dos policiais civis da Bahia. A promotora Carla Medeiros, que ouviu o depoimento da estudante, qualificou o trote como “muito violento, podendo configurar lesão corporal”.
Estudantes do curso também não quiseram falar sobre o assunto. Depois do caso, o clima entre eles é de muita apreensão. Desde setembro de 2008 os trotes são proibidos na Uesb. Seguranças da universidade disseram, porém, que foi dado ordem a eles para que não se envolvam nas brincadeiras dos alunos.
Fonte:Terra.com